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Perfil

Telmo Zanini

Jornalista, 55 anos

Jornalista esportivo desde 1971, trabalhou na Zero Hora, Folha da Manhã (RS), Jornal da Tarde (SP), Placar e na TV Globo desde 1985 onde foi chefe de redação do Esporte. Atualmente, Telmo Zanini é comentarista do SporTV. Participa da cobertura da Copa do Mundo desde 1978 e esteve nas cinco últimas acompanhando a seleção brasileira.
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Os alemães e os 'tartacóis'

Depois da blitz que acabou derrubando a resistência polonesa no último minuto de jogo, a Alemanha arrasou com o Equador e a onda de nacionalismo rubro-negro-amarelo cresce cada vez mais ao som dos buzinaços pós-jogo, que vão da Baviera até Hamburgo. Os alemães nunca foram tão orgulhosos da sua nação, das suas possibilidades, das suas qualidades natas desde o fim da Segunda Guerra.
E o time de Klinsmann é a grande razão de tudo isso. Vibrante, incansável na busca do resultado, brigador do primeiro ao último minuto de jogo. Tudo o que os alemães gostam e, sinceramente, com muito do que nós brasileiros também gostaríamos de ver na nossa Seleção.
O time alemão é íntegro, todos os jogadores no melhor da sua forma, jogam os mais capacitados, os que estão no melhor momento e não os mais famosos ou os que um dia foram os prediletos do treinador. Infelizmente no time (o nosso) em que o próprio treinador
decretou que esta seria a Copa da Saúde, alguns jogadores se arrastam em campo, outros
se recuperam de lesões e o que se vê em campo é tão decepcionante que levou os torcedores brasileiros presentes nos estádios de Berlim, contra a Croácia, e em Munique, contra a Austrália, a vaiar alguns dos jogadores e a própria Seleção.
O nosso futebol não anima, não dá para contagiar a torcida, não dá para fazer sonhar com o hexa e com a conquista de mais uma estrela. Pior, no treino desta terça-feira onde seria justo esperar que Parreira treinasse algumas opções táticas que poderiam ser utilizadas contra o Japão, ou mesmo nas oitavas de final, nossos jogadores caminhavam pelo gramado de Bergisch Gladbach.
Foi constragedora a falta de empenho, o desinteresse. Parece que já ganhamos tudo, que não precisamos de mais nada. Foi um treino que pode ser definido como "tartacol". Começou em ritmo de tartaruga e acabou em passo de caracol. É preocupante. Vamos seguir dependentes da sorte e do lampejo individual de algum craque. É muito pouco para quem sonhou encantar o mundo da bola. Escrito por Telmo Zanini em às
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O craque da simplicidade

O hotel onde a Seleção está alojada em Munique fica ao lado de um dos jardins urbanos mais bonitos do mundo. Há um rio de águas claras que o corta de norte a sul, um lago cheio de patos, cisnes, coreto com bandinha que toca sem parar nestes dias que são os mais quentes do ano e, é lógico, muitos “biers gartens”, os bares ao ar livre onde os alemães e os turistas comem salsichas, arenques , salada de batatas e batatas assadas com creme.

Lógico que nenhum jogador teve tempo para sair e conhecer o Englishner Garten, com seus imensos gramados que viram campos de pelada nos fins-de-semana.

Enquanto os cidadãos comuns aproveitavam o sábado no jardim, numa sala do hotel, logo após o almoço da seleção, Ronaldinho Gaúcho dava uma entrevista ao repórter Pedro Bial. Ao lado só câmeras e técnicos da Globo e Lauro, um engenheiro da Embratel que está trabalhando na Copa para que som e imagens dos jogos cheguem com a melhor qualidade possível no Brasil. Pergunta daqui, pergunta dali, Bial tenta apertá-lo, marca em cima como se fosse os beques da Croácia. Ronaldinho vai driblando, passando com alegria e com elegância por todas as perguntas.

Bial diz : A torcida brasileira acha que você joga mais no Barcelona do que na seleção.

Ronaldinho responde: Lá jogo mais adiantado, aqui tenho que armar o jogo.

- E se por uma contingência o Parreira tiver que mudar o esquema?

-Não têm problema, jogo mais a frente. Estou preparado.

- Qual é a maior alegria, fazer um gol ou dar um passe para um gol?

- Desde criança sempre gostei mais de deixar os companheiros em condições de marcar. Mas o jogo ideal é aquele em que vencemos, dou passe para um companheiro marcar e no final ainda faço o meu.

- Todo mundo fala que o Brasil veio para ganhar a Copa, mas você está pronto para perder?

- No Brasil nunca estamos prontos para perder. A gente cresce nos clubes já aprendendo que ser segundo, ou último é a mesma coisa.

Meia hora de perguntas, depois uma sessão de fotos e autógrafos para todos os que participaram da entrevista. Sempre sorrindo, sempre zen, Ronaldinho volta para o quarto, vai descansar antes do treino. Lauro, o engenheiro, que ganhou um autógrafo para o filho e ainda fez duas fotos ao lado de Ronaldinho não contém o entusiasmo e define:

- É muita simplicidade para quem é o melhor do mundo!

Pois é, aí é que está o segredo. Escrito por Telmo Zanini em às
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