Muito cuidado com o egoísmo e com o individualismoA galera brasileira gritava: "Ih choveu, o Ronaldo emagreceu!". Quatro minutos de jogo contra Gana, e já estava 1 a 0. A pedalada, o gol que transformou Ronaldo no maior artilheiro de todos os tempos da Copa, o Brasil na frente, com um pé, quase os dois, nas quartas-de-final. Depois, o pé direito de Dida (que não é o bom), salvando um gol quase impossível. Para terminar o contra-ataque mortal, Kaká (o mesmo do lançamento no primeiro gol para Ronaldo) empurrando Cafu para o lado direito e logo em seguida enfiando a bola para o cruzamento que resultaria no segundo gol. Depois foi só administrar a ansiedade e o resultado.
A Seleção, apesar disso tudo, mais uma vez não jogou bem. Não jogou bem porque sabemos que pode jogar muito mais do que isso. Kaká, apesar dos dois passes, sentiu a entrada violenta que sofreu logo no início do jogo, Ronaldinho Gaúcho fez a sua pior partida nesta Copa e nem Gilberto Silva, nem Juninho reperiram a atuação que tiveram contra o Japão. Foram mal os quatro, e daria nota 6 para todos eles.
Nestas oitavas de final, onde o Brasil foi o único time a vencer com três gols de diferença, e o que menos tensionou os seus torcedores, atrevo-me a dizer que mais uma vez não jogamos bem como time. Temos grandes individalidades, que em lances isolados resolvem o jogo, como no passe preciso de Ricardinho para Zé Roberto no terceiro gol. Mas infelizmente ainda não temos um time.
Como time, como conjunto, Gana foi melhor. Creio que, no sábado, contra a França, a Seleção terá que jogar bem mais para avançar às semifinais. Cada um está pensando em si mesmo, ainda não vejo o espírito coletivo, e isso ficou evidente na entrevista de Cafu, no final da partida. Em vez de falar no time, no rendimento da equipe, só falou em si mesmo, nos recordes que bateu, no orgulho que estava sentindo do seu feito, no filho que fazia aniversário... Certamente foi por procurar a consagração total que, ao entrar na área do adversário quase ao final da partida, tentou marcar um gol quase impossível, quando o certo seria rolar para Ronaldinho Gaúcho, que entrava livre pelo meio da área e marcaria o gol sem dificuldade.
Menos egoísmo, mais espírito de equipe. A vaidade ainda pode derrotar a melhor equipe desta Copa.
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Os seis campeões do mundo avançaram. A única zebra que segue na Copa é a Ucrânia. Até agora não é uma Copa bem jogada. Foram 56 jogos, 132 gols, média de 2,35 por jogo. Melhor só do que a péssima Copa de 1990, e pelo jeito não vai ser muito melhor do que isso.
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Contra a França não podemos pensar em dar o troco no resultado de 98, ali perdemos na final. Temos que dar o troco é no resultado de 86, no México, quando fomos derrotados por esta mesma França nos pênaltis, no dia em que Zico perdeu pênalti no tempo regulamentar.
Escrito por Telmo Zanini em às
Devíamos chegar mais tranqüilos a este jogoGana é o adversário mais difícil para a Seleção até aqui, mas não poderia passar pela cabeça de ninguém o Brasil ser eliminado por Gana nas oitavas-de-final. Está certo que os favoritos venceram todas até aqui, mas também é certo que só a Alemanha teve um jogo tranqüilo, que administrou como quis por ter marcado dois gols em 14 minutos. O Brasil também deveria fazer o mesmo contra Gana, partir para cima, impor o seu jogo (como gosta de dizer Parreira nas entrevistas) e deixar logo claro quem veio para ganhar, quem veio para vencer.
Porém não vejo a Seleção com este poder nem com a unidade e a união suficientes para ganhar de uma forma tranqüila. Creio que a Seleção terá um jogo agônico e uma classificação sofrida para as quartas, e o que mais me daria prazer nesta véspera de jogo seria escrever amanhã que estava totalmente enganado.
Parreira não conseguiu formar o time que imaginou, o futebol que apareceu contra o Japão parece que não o agradou, pois a tendência é escalar o time para iniciar a partida do 1 ao 11 - o time que começou os dois primeiros jogos e em relação ao qual até agora não dá para sentir que os jogadores são amigos, que constituem um grupo e que estão dispostos a se sacrificar uns pelos outros, ingredientes indispensáveis na receita para se fazer um time campeão.
O Brasil têm tanto talento a mais do que as outras 31 seleções desta Copa que se jogasse 50% do que é capaz já seria o suficiente para chegar ao título. Ainda não perdi a esperança, mas acho que a Seleção desperdiçou tempo para treinar, e a lesão de Robinho chega até a soar como um alarme de que não estamos com um time tão bem preparado quanto imaginávamos.
Vou fazer muitas preces e chegar ao Westfalen Stadion preocupado num jogo onde a lógica seria chegar tranqüilo, pronto para comemorar mais uma vitória brasileira.
Portugal venceu em 20 minutos de bom futebolPortugal não eliminou a Holanda por ter batido mais e por ter sido um time violento. Luiz Felipe Scolari não botou o seu time em campo para trocar botinadas com os holandeses. Botou para jogar futebol e por conta disso marcou um golaço, numa troca de passes que envolveu cinco jogadores e culminou com a belíssima conclusão de Maniche, ainda no primeiro tempo.
Depois que Cristiano Ronaldo saiu machucado, carregado pelo massagista, lembrando até a saída de campo de Pelé massacrado por Moraes, Vicente e Coluna em 66, Portugal foi obrigado a revidar a dar o troco na mesma moeda, naquele que se transformou no pior jogo da Copa até aqui. Só venceu por que jogou 20 minutos de bom futebol.
Escrito por Telmo Zanini em às
Hora de confiar em Parreira e torcerQuadrado trágico ou os triângulos amorosos? Mesmo com Robinho em forma, a opção do técnico Carlos Alberto Parreira parecia ser pelo time titular, do 1 ao 11, que jogou as duas primeiras partidas da Copa. Robinho talvez fosse o único dos cinco que entraram desde o início contra o Japão, que continuaria no time. Nenhuma indicação, nenhuma informação, apenas a cara fechada, de cachorro grande brabo de Adriano nos úlitmos dias é que indicava a sua provável saída do time.
No treino da tarde deste sábado, em Bergisch Gladbach, quando Robinho levou a mão à coxa, agachou-se no gramado e começou a mancar, o primeiro companheiro com quem ele falou alguma coisa foi com Ronaldinho Gaúcho. Ficou em pé, ao lado dele, não dominou nem chutou mais nenhuma vez. Aí Adriano passou perto, Robinho pediu que ele fosse no seu lugar para o treino de conclusões, após os cruzamentos que vinham das pontas. O pedido, e certamente o anúncio de que não estava bem, deve ter funcionado com uma injeção de estimulante em Adriano.
Dez minutos depois, quando o treino acabou, Adriano ficou dando voltas no campo, correndo curto ao lado de Dida, coisa que ele jamais tinha feito desde o início dos treinamentos em Weggis. Que Adriano vai jogar desde o início contra Gana parece cada vez mais certo. Que os outros quatro titulares barrados contra o Japão também voltam ao time também parece certo. Nesta altura da Copa não adianta reclamar de Parreira dizendo que o time do terceiro jogo é melhor do que o dos dois primeiros. A decisão sobre a escalção é só dele, assim como será o grande responsável no caso de um mau resultado.
O melhor a fazer é confiar no trabalho dele, na competência de quem já deu ao Brasil o improvável título de 94. Confiar em Parreira e torcer. Acreditar que a Seleção vai entrar em campo e vencer, como já venceram até agora os demais campeões do mundo. Ter fé que vai aparecer finalmente o futebol pleno de Ronaldinho Gaúcho, que Kaká continuará acertando os chutes de fora de fora da área, e que Ronaldo irá deixar o recorde de gols de Gerd Muller na poeira.
Escrito por Telmo Zanini em às