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Perfil

Telmo Zanini

Jornalista, 55 anos

Jornalista esportivo desde 1971, trabalhou na Zero Hora, Folha da Manhã (RS), Jornal da Tarde (SP), Placar e na TV Globo desde 1985 onde foi chefe de redação do Esporte. Atualmente, Telmo Zanini é comentarista do SporTV. Participa da cobertura da Copa do Mundo desde 1978 e esteve nas cinco últimas acompanhando a seleção brasileira.
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Rogério arriscou o prestígio em vão



Caras navegadoras, caros navegadores,

Vocês lembram dos jogos contra Ghana e França na Copa? Não, não é exercício de masoquismo que quero propor. Vocês lembram quantos chutões para o alto deu o Dida em bolas que ele não tinha para quem entregar? Aconteceu a mesma coisa nas duas partidas. Os adversários adiantaram a marcação, pressionaram a nossa saída de bola e aí o Brasil não tinha como sair jogando e dê-lhe chutão do Dida. Foi um amigo que encontrei hoje na rua quem me lembrou disso e puxou o assunto. "Mais um erro do Parreira", me disse ele exaltado e continuou , "se o goleiro fosse o Rogério Ceni sairia jogando com a bola no pé, chamaria a marcação e um jogador ficaria livre para receber."

Bem, são opiniões que a gente vai ouvindo mas como essa admito que estou de acordo. Rogério seria o meu titular e fico muito a vontade para dizer isso, pois num programa "Redação" pouco antes da Copa quando o Armando Nogueira fazia uma análise do jogo entre Chivas x S.Paulo, disse a ele que estavam em campo dois dos três melhores goleiros do mundo. Rogério e Osvaldo Sanchez. Ele ainda perguntou quem era o terceiro do grupo e respondi ser o Gianluigi Buffon.

Rogério pode ser inferior tecnicamente, em matéria de alguns fundamentos a outros goleiros brasileiros, mas têm a enorme vantagem da personalidade forte, da liderança, de ser um goleiro esculpido para crescer nas decisões e ainda têm a incrível vantagem de saber jogar com o pé e de fazer passes muito melhor do que a maioria dos zagueiros em atividade no futebol mundial. Não vou falar das cobranças de falta por que talvez fosse arriscado demais ele fazer isso numa Copa do Mundo, mas sem dúvida numa hipotética decisão por pênaltis já poderíamos contabilizar um gol a nosso favor . Está certo, ele falhou no Beira-Rio, talvez no jogo mais importante do ano, mas também dá para perguntar em que outra final ele falhou nestes anos todos como goleiro do S.Paulo?

Como tantos vi o "Bem Amigos" desta segunda-feira e aí Rogério deu um show na entrevista e deixou mais clara ainda a sua capacidade de liderança, e como está ajudando o time a se focar no grande objetivo deste ano que é a conquista do título de Campeão Brasileiro, glória que, ele lembrou muito bem, nenhum jogador do São Paulo possui.
Bem, devem estar vocês pensando, onde este cara está querendo chegar? Estou querendo chegar é na seguinte conclusão: um jogador com todas estas qualidades, e que ainda por cima se preocupa em manter a imagem de ser um líder positivo. E com a responsabilidade acumulada que têm por ser um dos maiores ídolos da história do São Paulo FC não pode perder a cabeça e partir para cima de um árbitro dizendo tudo o que disse para Carlos Simon no domingo. Rogério já investiu muito, já trabalhou demais a sua imagem para arriscá-la desta maneira. Teve sorte que Simon amarelou, pois sem dúvida o que Rogério merecia era o cartão vermelho.

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A autoridade dos árbitros por sinal é um tema que merece mais discussão. Se o brasileiro que foi a Copa não consegue impor a sua autoridade, o que se pode esperar dos demais? As relações entre árbitros e jogadores, árbitros, auxiliares e treinadores estão totalmente equivocadas, viciadas, cheias de erros no nosso futebol. Jorge Larrionda e Horário Elizondo deram aula de arbitragem nas finais da Libertadores. Não deixavam que os jogadores se dirigissem a eles, contiveram o ímpeto dos treinadores. Ora o jogador não tem o direito de se dirigir ao árbitro, os treinadores não podem xingar os auxiliares e os quartos árbitros como anda acontecendo no nosso campeonato, sem que sejam punidos por isso. E o pior é que a solução é muito fácil. Basta usar adequadamente o cartão vermelho. Três ou quatro treinadores expulsos em uma rodada por ofensas morais, dois ou três jogadores expulsos pelo mesmo motivo e duvido que as ofensas continuem se repetindo. O princípio da manutenção e respeito a autoridade é fundamental no esporte. Não se pode deixar que chegue ao ponto que chegou em tantas outras atividades no nosso país.

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São Caetano, Ponte e São Paulo, num mini Campeonato Paulista três jogos decisivos para o Corinthians. Pode ser a saída da zona do rebaixamento ou então o prolongamento do sofrimento da Fiel. Para quem observa a distância a situação do Timão nunca esteve tão ruim como agora, mas como diz o meu amigo Alberto Helena Jr, o Corinthians se alimenta das próprias crises, e quanto maiores elas são mais ele se fortalece.

No Flamengo a convivência entre jogadores, diretoria e torcida anda mais calma por conta da conquista do título da Copa do Brasil, porém não acredito que a agonia dos torcedores para ver o clube escapar do rebaixamento será menor do que nos anos anteriores. Com atacantes que não marcam (Luizão, o ex-artilheiro, Sávio , também quase chegando ao fim da linha, Peralta, o indefinido) e onde só Obina se destaca (vejam só!!)
Me parece que a história vai se repetir . O time vai lutar contra o rebaixamento até o fim.

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Hora da verdade para o Santos. O Atlético na Arena da Baixada é jogo duro para qualquer um, mas quem quer lutar pelo título precisa de vitórias como esta. Depois de deixar escapar os três pontos contra o Vasco em casa esta é a chance de se manter encostado no São Paulo na luta pela liderança, pois no domingo será a vez de enfrentar o Palmeiras na Vila. O elenco Santos me parece não ser tão qualificado quanto o do Palmeiras e sem dúvida é muito menos qualificado do que o do São Paulo. Porém se técnico não ganha jogo Vanderlei Luxemburgo já provou que é capaz de ganhar títulos.
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A caixinha ficou pequena para tantas surpresas



Caras navegadoras, caros navegadores

Grêmio em terceiro? Vasco em quarto? Nem mesmo os mais fanáticos tricolores, daqueles que foram a pé até Tóquio nas duas vezes em que o Grêmio jogou a final do Mundial de Clubes; nem mesmo os donos das lojas de luminárias de Benfica, ou frequentadores do Adegão Português no largo de S. Cristóvão , no Rio, poderiam imaginar que os times deles estariam na zona da Libertadores na virada do campeonato. Tivesse alguém apostado isso nos bookmakers de Londres e estaria com tanto dinheiro na conta bancária que poderia comprar a MSI. Pois é, o futebol não é mais uma caixinha de surpresas, expressão imortalizada por Benjamim Wright, radialista, cronista esportivo nos anos 50 e 60, pai do comentarista José Roberto Wright. O futebol brasileiro hoje é uma vila florentina, daquelas nas colinas de Fiesole, donde se pode apreciar a vista inteira da cidade onde viveram Leonadro, Michelangelo, Maquiavel, Dante e mais recentemente Cláudio Carsughi, Júlio Botelho, Sócrates e Dunga. É uma vila cheia de arcos, dezenas de cômodos, salões, passagens secretas, adegas com os melhores brunelos e tiganelos ,exuberantes e misteriosos jardins onde esculturas em mármore de Carrara da zebra têm lugares de destaque.

Quem ousaria afirmar há oito dias que o Vasco iria vencer o Santos na Vila e o Inter no Beira-Rio? Quem teria coragem de cravar que Jeovânio, Lucas, Tcheco e Léo Lima comporiam o quarteto de solistas mais harmonioso do início do returno do Campeonato? Este Campeonato obriga a todos nós a revermos os nossos conceitos a toda hora. Os torcedores do Grêmio e do Vasco que ainda na volta da Copa tinham pesadelos onde aparecia o monstro chamado Segundona, um ser sete cabeças, que cospe fogo e lança flechas incandescentes , pelo menos nesta segunda-feira acordaram em êxtase pois passaram a noite sonhando com os Andes , o pampa argentino o altiplano boliviano embalados aos sons dos mariachis de Guadalajara. Como faz bem sonhar!! Como este esporte chamado futebol têm o poder de transformar o estado de espírito dos que se entregam a ele de forma lúdica, sabendo que se trata da melhor diversão concebida pelos ingleses!!

É curtir enquanto dá, pois do Juventude para cima todos têm chance de chegar a Libertadores e talvez aí se inclua também o Palmeiras se vencer dois dos próximos 3 jogos, e do Juventude para baixo ninguém está livre de ter que enfrentar em 2007 o monstro Segundona.

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Murici não gostou do São Paulo no Maracanã e têm toda razão pois o tricolor deixou no Rio dois pontos fáceis de ganhar.Foi um tanto disperso em algumas partes da partida, pouco contundente em outras, mas está fazendo o seu papel. Ganha em casa, empata fora e vai mantendo a liderança com uma certa folga. Nos próximos três jogos têm o Fortaleza em casa, o Santa Cruz no Recife e depois o Corinthians, outra vez no Morumbi, ou seja, o líder enfrenta os três últimos. O que em qualquer outro lugar do mundo seria uma tarefa tranqüila, aqui pode ser complicado. De qualquer forma a torcida sampaulina pode sonhar com duas vitórias esta semana e depois, com uma certa dose de sadismo, imaginar que no dia 10 de setembro o São Paulo conseguirá fazer com que o tradicional rival saia do Morumbi se sentindo como Dante, ao percorrer ao lado de Virgílio, os caminhos dos 34 primeiros cânticos da Divina Comédia.

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Uma das (poucas) vantagens que a idade nos traz é nos fazer entender a importância da humildade. Talvez por que quanto mais velhos mais próximos estamos da morte, do chamado acerto de contas final, talvez por que já conseguimos controlar melhor os impulsos, mas a verdade é que praticar a humildade só faz bem. Confesso que fico muito envergonhado toda vez que perco o controle e sou arrogante com um semelhante, mas ao mesmo tempo fico satisfeito , pois de uns anos para cá estes momentos são raríssimos. Estarei feliz comigo mesmo quando conseguir evitá-los de vez.

Émerson Leão, o atual técnico do Corinthians, têm 57 anos e portanto já possui uma vivência suficiente par perceber que certas atitudes são nobres e outras desprezíveis, vis, indignas do ser humano. Por isso fica difícil entender a razão que leva um sujeito tão inteligente, a quem a vida concedeu tantos dons, exercer com a frequência que ele exerce a arrogância e o desprezo pelo ser humano.

O que Leão falou dos argentinos há duas semanas era cabível de punição pela Lei Afonso Arinos (racismo não é só contra negros), e não motivo para gracinhas ou piadas como ele tentou passar ao distinto público. O que Leão fez com Tevez logo que chegou ao Corinthians merece só um adjetivo: foi torpe. Tevez, ao contrário de Leão, nasceu em meio a miséria, não foi beneficiado com as qualidades de Apolo e ainda sofreu o grave acidente que quase o matou, o deixou queimado e ainda provocou a dificuldade que têm para se expressar. É lógico que, por ser um guerreiro, conseguiu superar tudo isso usando a dádiva de jogar futebol ,que a Natureza lhe concedeu para compensar tanto do que tirou. Qualquer analista de botequim percebe que Tevez carrega alguns complexos em razão destas deficiências, assim como a força que faz para superá-las. Portanto atingi-lo publicamente invocando os seus complexos é de uma crueldade digna de torturadores das ditaduras. Fiquei sabendo que a decisão de tirar a faixa de capitão de Carlitos foi tomada no vestiário, quando ele já estava com a faixa no braço, e na frente de todos os outros jogadores. Se isto for verdade o ato então atinge níveis altíssimos de perversão.

Neste caso é perfeitamente possível entender por que Tevez foi embora do Corinthians, e que ele têm toda a razão quando exige desculpes do treinador. Seria um ato de humildade se Leão conseguisse refletir sobre isso, e pedisse desculpas publicamente a Carlitos Tevez. Se conseguir fazer isso Leão certamente se sentirá muito melhor como ser humano, e recuperará boa parte da decepção que causou a tantos semelhantes.
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Caras navegantes, caros navegantes

Muito favorito...


Um belo jogo no Morumbi decidiu o primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Movimentado, cheio de opções, gostoso de assistir. O Paraná surpreendeu com o início arrasador e o São Paulo soube mostrar poder de reação. O erro da arbitragem ao não marcar impedimento no primeiro gol do São Paulo sem dúvida ajudou o tricolor paulista, mas não se pode dizer que foi decisivo no resultado pois aconteceu muito cedo e depois, quase aos 30 do segundo tempo, o Paraná teve a chance do terceiro gol, o que poderia definir a partida naquele momento pois o São Paulo não conseguia encontrar o seu melhor jogo.



Bastou um momento de grande lucidez de Junior porém para o São Paulo chegar a vitória. É sobre este momento que pediria um pouco de reflexão a impaciente, torcida do tricampeão da Libertadores. O São Paulo fechou o turno com uma folgada vantagem sobre o vice-líder sem estar num bom momento técnico e tendo enfrentado o desgaste da Libertadores. Mineiro, Josué, Danilo e Junior, os quatro motores do tricolor, podem, e sabem, jogar muito mais do que estão jogando. Seria demais querer que eles sempre mantivessem o nível do ano passado quando o São Paulo chegou aos títulos da Libertadores e de Campeão do Mundo. Porém, sem dúvida alguma, daqui até o fim do ano a tendência é a de que eles subam de produção. Que Junior volte a fazer jogadas como as de ontem, e alguns golzinhos também; que Josué e Mineiro recuperem a rapidez e a qualidade do passe na passagem de bola da defesa para o ataque e que Danilo volte a botar os atacantes na cara do gol e a marcar também. Traduzindo os quatro mosqueteiros do Morumbi estão tendo atuações com notas entre 5 e 7 (em regra) pelo menos nos últimos 30 dias, quando o normal deles são atuações entre 6,5 e 9.

A saída de Lugano pode ser absorvida muito bem pois Alex Silva já mostrou qualidade e acima de tudo personalidade, e quanto ao ataque , apesar de Murici reclamar que está com poucas opções depois de perder Ricardo Oliveira e Lima, eu deixo a pergunta :que outro time do atual campeonato têm quatro atacantes como Aloísio,Leandro,Thiago e Alex Dias? Isso sem falar de Lenilson, o super-reserva.



É por isso que a tendência do São Paulo será aumentar ainda mais a vantagem sobre os demais e repetir uma conquista mais ou menos tranqüila como foi a do Cruzeiro em 2003, no primeiro campeonato por pontos corridos. Devo afirmar porém que no fundo tenho a suspeita de que poderemos passar as últimas cinco ou seis rodadas discutindo se a fórmula de disputa do campeonato por pontos corridos é mesmo a melhor, pois não ficaria surpreso se até a quinta rodada o São Paulo aumentar para 8 ou 9 pontos a vantagem sobre o segundo colocado. A todos lembro que na quarta rodada, dia 10 de setembro, têm São Paulo x Corinthians, no Morumbi.


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Não se pode dizer que a partida entre Brasil e Rússia não valia nada, pois os dois times já estavam classificados às semifinais da Liga Mundial, qualquer que fosse o resultado. Valia sim. Valia mentalmente, psicologicamente. Em primeiro lugar o Brasil nunca tinha vencido a Rússia lá no país deles. Cinco jogos, cinco derrotas. Em segundo o vôlei é um jogo onde poder da mental conta muito mais do que nos demais esportes coletivos, principalmente por que não têm o contato físico. Onde existe o corpo-a-corpo, o poder físico pode encarar, diminuir a importância do poder mental, até mesmo pela prática de faltas ou pela pressão sobre as arbitragens. No vôlei alguns jogadores já me relataram que a passagem pela rede, um encarando o outro, imaginando o que poderá fazer a seguir, ou qual a surpresa virá do campo adversário pode ser fator decisivo numa partida. Aparentemente o time da Rússia ainda é mais compacto, mais consistente que o nosso, e a torcida (se puder) vai entrar em campo neste sábado. Mas Anderson, Samuel e Gustavo já sabem que podem ser uma poderosa barreira ás pretensões dos donos da casa e com isso levar o Brasil a jogar pelo sexto título seguido da competição no domingo.


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A respeito de tudo o que se anda (e andou) falando, e escrevendo, sobre a importância da formação do grupo para a obtenção de um bom resultado nas competições esportivas coletivas, encontro entre as minhas anotações de alguns anos atrás uma frase do
"mago" Phil Jackson, o treinador do grande Chicago Bull's e depois dos L.A.Laker's. Está no livro que ele publicou após o tri-campeonato com os Bull's, que chama "Sacred Hoops", ou numa tradução mais livre, "Aros sagrados" :

- É preciso entender instintivamente a importância da integração, ente os jogadores na construção de times campeões...

... é indispensável um jogador estar em sintonia com cada um dos outros, só assim ele consegue saber o que está acontecendo
na quadra (ou no campo) a cada momento.

Em síntese no livro Phil Jackson deixa claro que entender o trabalho, a função de cada colega, perceber as dificuldades de cada um, e procurar ajudar o próximo sempre que possível é a receita básica para se melhorar o próprio trabalho e assim alcançar a satisfação pessoal.

Phil Jackson é um dos meus ídolos no esporte. Um modelo como esportista e como homem. Filho de pastores da Igreja Pentecostal, a mais radical de todas as evangélicas, foi educado dentro da religião. Como jogador foi um ala reserva do New York Nick's, nos títulos da NBA de 70 e 73. Quando abandonou o basquete como jogador se converteu ao budismo e como treinador é considerado um dos melhores de todos os tempos.

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Caras navegantes, caros navegantes

Plutão é segunda divisão...





Pois não é que o Tapetão da comunidade científica internacional acaba de rebaixar o simpático planeta Plutão para a Segundona? Sem direito a recurso, sem apelação, sem novo julgamento. Não foi por bagunça da torcida, nem por invasão de gramado, foi apenas por que ele é pequeno demais. Logo ele, tão simpático, que no caso de muita gente (me incluo nessa) era o segundo planeta do coração. Sempre torcia para ele no combate contra os grandes. Bem, agora a tendência dele é a mesma de certos clubes brasileiros, que um dia andaram na órbita da série A, caíram, caíram, foram para a série C e um dia acabam desaparecendo. Têm muitos nesta situação, e nem é preciso que sejam citados. Reduzir a série A dos planetas para oito integrantes é mais ou menos como as nossas séries A e B com 20 integrantes cada. Até a Inglaterra ter mais 22 clubes em cada uma seria o mínimo.

Sem pivô é difícil fazer melhor


Meu sonho de infância não era ser jogador de futebol. Era ser jogador de basquete. Queria defender a camisa listada de verde-amarela numa Olimpíada, num Campeonato Mundial. Admirava o Succar, o Bira. Explico, era muito crescido para a idade de 11, 12 anos de jogava como pivô. A falta de um jogo mais consistente, somada ao fato de não ter passado do meu metro e 84 cms de altura me transformaram num sofrível ala por volta dos 18 anos e me levaram a abandonar a carreira precocemente antes que o basquete me abandonasse totalmente. Fui ser árbitro, apitei uma centena de jogos de mirins, infantis, campeonato universitários e até uma Macabíada com ginásio lotado. Não freqüento mais os ginásios, depois das aposentadorias de Michael Jordan e de Oscar Schimidt e só paro na frente da telinha para ver um jogo da Seleção em uma competição importante, como o Pan, ou como aconteceu agora neste Mundial que terminou hoje para nós.



Fiquei sensibilizado com o esforço dos nossos técnicos-comentaristas tentando dar esperança ao torcedor depois da vergonhosa derrota diante da Austrália, quando a vaca, feliz da vida, já mugia alto no meio do brejo. Me senti nestes dias como o torcedor da Venezuela nas eliminatórias para o Mundial de Futebol da FIFA, ou como o torcedor de San Marino na Europa. Não tínhamos chance alguma, o time é mais fraco do que os outros e carece de jogadores por que se pratica muito pouco o basquete no Brasil. Temos pouca base, pouca formação, e por isso marcamos mal, arremessamos na hora errada e acima de tudo não temos pivôs consistentes. É um absurdo que um país de 180 milhões de habitantes tenha menos pivôs que a Grécia, que a Lituânia, que a Austrália, que ainda não chegou aos 20 milhões de habitantes. Eu sei que o Nenê não quis ir pois está na época de tomar os anabolizantes, que são permitidos na NBA, e aparecem como doping no Mundial. Mas cá para nós, não fosse esta luta de dirigentes, que divide o nosso basquete como uma faixa de Gaza, e que só causa vítimas em todos os lados, e o Brasil deveria ter pelo menos uma meia-dúzia de jogadores como Marcos Abdala, Israel, Ubiratan e o próprio Nenê. Sem os grandões, sem o choque, sem o rebote nas duas tabelas vamos continuar como a Venezuela e San Marino no futebol. E aí cada vez mais ficarei com pena do Bira Belo, do Alberto Bial, do Emanuel Bonfim, do Miguel Ângelo que precisam ficar se desdobrando para segurar o interesse do público por uma equipe que não vai a lugr nenhum.

E agora a série A


O São Paulo FC deverá confirmar esta noite (24 ago) o título de Campeão do primeiro turno da série A e dificilmente perderá o título que não ganha desde 1991. (Sei que se o Paraná vence todos irão me gozar, mas é preciso ter opinião!!)



O Paraná, por sua vez, seguirá por mais algum tempo como a maior surpresa e o técnico Caio Junior, sério, inteligente, competente, já ganhou o prêmio de Revelação do Campeonato.
Um conhecido meu, com muita experiência no futebol e que convive há muito tempo com a Seleção Brasileira, diz que os treinadores têm 3 oportunidades para perder um jogo. A primeira é quando convocam os jogadores, a segunda é quando escalam o time, e a terceira (a mais comum) é quando substituem. Pois Abel Braga conseguiu quarta no Serra Dourada escalar o Inter mais habilidoso de 2006. Fabinho, Edinho na proteção com Adriano,Mossoró e Iarlei na armação e o Fernandão solto na área adversária , estavam dando show, poderiam ter massacrado o Goiás não fosse um erro terrível da arbitragem que anulou um belíssimo gol de Iarlei aos 45 do primeiro tempo (seria o 2x0) . Abel tinha estruturado talvez a sua mais bela obra do ano, mais aí misturou as tintas e botou tudo a perder quando sacou justamente os 3 habilidosos, Adriano, Mossoró e Iarlei. O Inter não conseguia mais reter a bola e por pouco não perdeu o jogo que vencia por 2x0 com dois gols do excelente Fernandão.
Um outro aviso: a diretoria do Inter precisa agir e punir os expulsos. Ontem foram Ediglê (jogou nem 15 minutos) e Rubens Cardoso, domingo passado o Perdigão, contra o S.Paulo Tinga e Fabinho.
O Flamengo foi prejudicado por um erro do prepotente e estrelar Wilson de Souza Mendonça que não marcou o toque de Gustavo no primeiro gol, mas o São Caetano tinha sido prejudicado pouco antes, com um pênalti não marcado. Afinal, porque a Comissão de Arbitragens continua escalando o Wilson? Série B já é demais para ele.
Também não dá para escalar Antônio Hora Filho e os auxiliares de Sergipe na série A. E uma outra pergunta ao diretor de arbitragens Edson Rezende: São Paulo x Paraná, a decisão do turno, não merecia o melhor árbitro do turno?
Continua em exibição no Parque São Jorge "O Milagra do Padre Marcelo". Deste jeito o Palmeiras ainda vai brigar pela Libertadores.
Já o Leão tá rugindo alto, mas a sorte têm sido o melhor jogador dele. O gol que o Christian perdeu foi brincadeira. O Corinthians dele ainda não me convenceu e não esqueço que ele era o treinador do Palmeiras antes do Tite, com os mesmo jogadores. Espero que ele me faça mudar de idéia.
E o Fluminense, que fascinava pela sua disciplina, como diz a letra do hino, e consegue ser mandado por um parceiro que é um gorila em loja de cristais. Josué, ótima pessoa, como técnico era uma aposta impossível, e para se chegar a Antonio Lopes como o quinto técnico da temporada não seria melhor estar até agora com o Ivo.
Aviso ao pessoal do rebaixamento: com 46 pontos fica na série A, com 45 talvez. Com 44 só com muitas vitórias. Com 43, ou menos o destino será a Segundona em 2007.
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Sem pressão não tem time campeão


Caras navegantes, caros navegantes

Até hoje quando encontro alguma pessoa e esta fica sabendo que estive na Copa da França em 98, acompanhando a
Seleção, não demora mais do que segundos e logo vêm a inevitável pergunta. O Interlocutor espera a primeira deixa se aproxima falando
em voz baixa, procurando uma certa cumplicidade e pergunta como querendo ouvir de volta uma confidência:

- Mas afinal, o que aconteceu mesmo com o Ronaldinho?

Diante da resposta de que tudo já foi escrito, falado, esmiuçado, muitos apresentam versões próprias que vão ganhando contornos cada vez mais fantasiosos com o passar do tempo. Foi um bruxo dos Camarões, que entregou uma poção a uma amigo que era cozinheiro no hotel da Seleção, até problemas da infância do craque que afloraram em virtude de conflitos surgidos na improvável mansão
aluga por Ronaldo e onde estavam a mãe e o namorado, o pai e a namorada, a irmão, o irmão, Suzana Werner, a titular na época, com os
pais, um sem número de histórias e versões que talvez um dia me levem a escrever o livro "MAS AFINAL, O QUE HOUVE COM O RONALDINHO?".

Acho que só não levo a idéia adiante pelo temor de produzir um best-seller sobre um assunto tolo. Agora porém que "a África do Sul já está logo ali", conforme decretou meu querido colega Fernando Vannucci no dia do encerramento da Copa de 2006, cada vez mais
vou ouvindo uma outra pergunta que imagino ouvirei ainda incontáveis vezes até 2010:

- Mas afinal, porque perdemos mesmo a Copa da Alemanha?

Os ecos da derrota brasileira na Copa mais fácil de ganhar de todos os tempos (especialmente pela ruindade dos adversários)
irão com certeza se repetir até bem depois de 2010. Já teve um amigo, com quem converso regularmente sobre futebol e me ajuda muito a entender certos times e certos jogos que me disse todo sério :

- Olha, eu percebi que você não falou tudo o que estava querendo , parece que tinha algo mais forte, alguma coisa de mistério, de conspiração que você percebia estar acontecendo e não se sentia a vontade para falar.

Disse a este amigo, como digo a todos vocês que falei tudo o que queria, o que sabia e o que pude perceber durante a Copa.
Só me arrependo é de ter dado tanto tempo de crédito ao Parreira, de ter acreditado até o primeiro jogo nos argumentos dele. Ao mesmo tempo, sou obrigado a reconhecer que, apesar de acompanhar os treinos e os jogos da Seleção nas últimas cinco Copas e em tantos outros eventos mais não tive a percepção na hora do que hoje me parece tão óbvio. Perdemos a Copa por que faltou pressão. Pressão sobre a diretoria da CBF, sobre a Comissão Técnica e principalmente sobre os jogadores.



Felipão e Bernardinho...


...são dois treinadores mestres em conseguir o máximo rendimento de um grupo de jogadores fazendo com que eles trabalhem sob pressão. Não quero dizer que só isso seja suficiente para se chegar a um título, a um bom resultado, para um time ser campeão, mas sem dúvida sem pressão não dá para ser campeão. E aí temos o exemplo da Itália, não fosse o escândalo dos resultados comprados, não fosse os interrogatórios que o técnico e os jogadores sofreram às vésperas da Copa, não fosse a tentativa de suicídio de Pesoto, e sem dúvida eles teriam muito menos razões para se superar em campo. Uma bola com pouca pressão, fica murcha, não quica,mal rola, uma bola com muita pressão pelo contrário, pode estourar. É preciso saber dosar como fez Felipão em 2002 e Bernardinho na Olimpíada de 2004. A Seleção da Copa 2006 foi construída tendo como modelo o Mundo Perfeito e Maravilhoso idealizado por Parreira onde ele era apenas (segundo a própria definição) um "administrador de talentos". Como éramos o melhor time do mundo, tinhamoo os mlhoeres jogadores, vencer a Copa era apenas uma questão de esperar o dia 9 de julho chegar. Foi permitido que os jogadores se apresentassem direto na Europa, chegando sozinhos ou em pequenos grupos, em carrões, helicópteros ou jatinhos. Nada de fotos oficiais, nada de uniforme, nada de comprometimento com a torcida com o povão que sonhava tanto no Brasil. Hotel luxuosíssimo, paisagem de postal, quartos individuais, internets, games de última geração, mimos e paparicos que talvez nem os herdeiros do principe Charles da Inglaterra tenham desfrutado na infância.

Parreira não desenvolvia intimidade com os jogadores, eles mesmos mal se comunicavam e no meio do ambiente de conto de fantasia porque saber notícias do que acontecia no Brasil? Qual a razão para mostrar aos jogadores o povo nas ruas torcendo pela Seleção, as calçadas e os muros pintados, porque levar aos príncipes a imagem da gente sofrida que tanto esperava ter bons motivos para se orgulhar do time? Ficou todo mundo solto, sem cobrança, sem prestar contas a ninguém. Deu no que deu.

Ainda em Porto Alegre , no dia em que Tinga se despediu do Inter li a última entrevista dele antes de tomar o rumo da Alemanha. " O Inter começou a ganhar a Libertadores quando perdeu o Campeonato Gaúcho para o Grêmio". Segundo Tinga o impacto da derrota para um time reconhecidamente inferior foi tão grande que por alguns dias os jogadores tinham dificuldade para conversar entre eles. Estavam envergonhados. Ficavam se perguntando se eram perdedores natos, eternos vices. Não tinham coragem de encarar o técnico e amigo Abelão, que lia a ouvia todos os dias a interminável relação de vices campeonatos que colecionava, onde alguns já incluiam a Libertadores como mais um fracasso. Foi diante desta pressão, segundo o próprio Tinga, que o Inter encontrou as forças para reagir . Encostados contra a parede, com a faca no peito não restou outra alternativa ao grupo a não ser a superação. Tinham que provar a eles mesmos que não eram um grupo de fracassados. Aí o Inter começou a jogar como vencedor mesmo no campo do adversário. A pressão funcionou, e vejo que na Seleção atual Dunga está procurando alguns mecanismos, algumas formas de pressionar os jogadores. Espero que ele vá se aperfeiçoando na nova profissão e que se for preciso fale com Felipão e com Bernardinho. E para nós todos espero que a gente não esqueça nunca mais a lição: sem pressão não se faz um time campeão. Escrito por Telmo Zanini em às
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