VITÓRIA DEIXA SÃO PAULO NA BOACaras navegadoras, caros navegadoresO campeonato deveria parar totalmente neste fim-de-semana em razão das eleições, pois na maioria dos estádios funcionam seções eleitorais, e em muitas cidades as forças da segurança pública estão totalmente envolvidas com o trabalho eleitoral e pedem para que não sejam marcados jogos de futebol. Isto e mais a rodada da Sulamericana nesta quarta, faz com que aconteça a paralisação de 10 dias que está sendo saudada por quase todos os jogadores, técnicos e preparadores físicos.
Porém como a Conmebol alterou a data da final da Libertadores, ainda antes da Copa do Mundo , e como todos sabemos Inter e S.Paulo lá estavam se degladiando, o único dia que sobrou para cumprir os jogos pelo Brasileiro dos dois finalistas foi este sábado, 30 de setembro. E aí meus caros quis a sorte, ou o destino, ou os deuses do futebol, que um destes jogos em especial ficasse como uma das decisões antecipadas do Campeonato Brasileiro. Estou me referindo a Atlético x São Paulo, na Arena da Baixada, por coincidência também os dois finalistas da Libertadores de 2005.
Lógico que nem é preciso recordar das circunstâncias todas que tiraram uma das finais da Libertadores da Arena, e a levaram para o Beira-Rio. A rivalidade entre Atlético e os times de São Paulo sempre foi grande e o fato acontecido no ano passado só vai fazer com que o clima , o ambiente que envolve este jogo tenha ainda mais aqueles ingredientes de decisão que todos nós gostamos. O Atlético vêm em uma fase ascendente e com uma vitória pode até pensar em uma vaga na Libertadores 2007. O São Paulo vêm deixando escapar seguidas chances de se distanciar ainda mais dos seus perseguidores que ainda podem sonhar com o título (Grêmio,Santos e Inter), mas mesmo assim é o líder, com confortáveis quatro pontos de vantagem sobre o segundo colocado.
Bem este jogo com mais Inter x Paraná no Beira-Rio ( outra pequena decisão entre o quarto e o quinto colocados) farão com que todos os times fiquem igualados com 26 jogos disputados , doze ainda por disputar, 36 pontos, e aí vamos combinar o seguinte, fora a torcida do Paraná, o rival local, e obviamente a do São Paulo, todas as demais vão torcer pelo Atlético, ou pelo menos por um empatezinho, pois em caso contrário, em caso de vitória do tricolor paulista que vai permitir uma vantagem de sete pontos sobre o mais próximo seguidor, podemos esquecer emoção e disputa pelo título, pois a tendência será o São Paulo fazer nas últimas rodadas uma marcha triunfal como foi a do Cruzeiro em 2003, no primeiro campeonato por pontos ganhos, o início da era pós mata-mata.
Hoje, sem o jogo com o Atlético, as chances do São Paulo ser campeão já chegam a 63%, com 18% para o Grêmio, 8% para o Santos e 6% por cento para o Inter. Porém o matemático e apaixonado por futebol, Tristão Garcia garante que com mais os possíveis três pontos na Baixada as chances do São Paulo simplesmente pulam para 76 % enquanto o segundo, o Grêmio, sem jogar verá as suas chances cairem para 12%, o mesmo acontecendo com o Santos que cairia para cinco por cento.
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É para evitar situações como estas que as fórmulas combinadas de disputa de campeonatos com fases regulares e depois play-offs, ou mata-matas, como acontece com os campeonatos de outros esportes nos Estados Unidos, ou com o Campeonato de Futebol Mexicano, por exemplo são muito mais evoluídas e fadadas ao sucesso. Vamos pegar a velha e ultrapassada Europa, onde as comissões da Comunidade Européia já discutem há alguns anos as reformas que devem ser feitas no esporte e no futebol em particular. Os campeonatos estão lá pela quarta ou quinta rodada, e fora a Alemanha e a Espanha onde 3 clubes no máximo vão disputar o título em cada país, na Itália o título ficará entre Inter e Roma (talvez o MIlan se não partisse de menos 8) , em Portugal o Porto dificilmente será surpreendido pelo Sporting, na França o Lyon já iniciou a caminhada para o hexa, e na Inglaterra já podem deixar a taça na porta de Stamford Bridge, o estádio do Chelsea. Está certo que em todos estes lugares (especialmente na Inglaterra onde o Chelsea pode contabilizar um prejuízo de 800 milhões de reais por temporada em razão da origem nebulosa do seu dinheiro) a diferença do poderio economico entre os clubes leva ao desequilíbrio técnico e a falta de interesse pela campetição, mas isto é um outro tema, que também está preocupando (e muito) o pessoal da Comunidade Européia que até já encomendou um trabalho a especialistas chamado "Independent European Sport Review, 2006" que em breve abordarei aqui nestas linhas. Porém também é muito mais certo que com apenas quatro datas a mais para permitir que numa semifinal o time com o maior número de pontos em dois turnos de ida e volta enfrente o quarto colocado enquanto o segundo e o terceiro lutariam pela outra vaga na final, deixaria os campeonatos muito mais emocionantes e abriria o leque de pretendentes.
Por isso para 2007 já defendo: turno e returno com ida e volta, seguido de uma semifinal com os campeões de cada turno e os outros dois times com o maior número de pontos na soma geral. Os vencedores fariam a final sempre com a vantagem para o time com a maior soma de pontos nos dois turnos regulares. Defendo também que só três times sejam rebaixados diretamente, que o quarto pior da série A tenha a oportunidade de medir forçar com o quarto melhor da B. Esclareço por oportuno que o que permite que as equipes se planejem não é o formato de disputa das competições, mas sim o Calendário divulgado com antecipação é cumprido como já está sendo feito há seis anos no Brasil.
É claro que o Atlético até aparece como favorito e pode vencer o São Paulo e ainda por cima abalar a confiança do time de Muricy. É claro também que o Santos viu crescer as suas chances, e uma combinação de dois resultados favoráveis pode trazer novas esperanças de título ao Inter, que aos poucos vai se recompondo do desmanche pós-Libertadores. Mas igual: porque ficarmos limitados, a 2 ou no máximo 4 times disputando o título se podemos abrir o leque para oito, dez, ou diante do equilíbrio do nosso futebol para até doze times/torcidas?
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Meus colegas, amigos, companheiros de redação, Garamba, Lédio e Poli tratam tão bem dos assuntos relativos as rodadas e aos jogos que pouco sobra para acrescentar. De qualquer forma gostaria de perguntar :
1- Porque o Leão tirou o Roger, que era o melhor em campo? Com ele o Corinthians dominava o Inter, Roger criava no meio-campo, armava os ataques e acertou um petardo no travessão. Sem ele, e com Carlão, o Corinthians foi dominado e só não perdeu porque Iarlei foi muito fominha.
2- Porque o Vagner Tardelli marca tantas faltas? Ele deveria apitar vôlei, ou tênis. Futebol é jogo de contato, mais da metade das faltas que ele apita são solenemente ignoradas pelos árbitros europeus e até mesmo pelos excelentes Larrionda e Elizondo.
3-Porque o Cléber Wellington Abade acompanha o jogo de tão longe? O Abade é um ótimo árbitro ele precisa botar um pouco mais de adrenalina quando apita. Perder uns quilos e correr um pouco mais. Não cometerá tantos erros como no domingo.
4- Porque o Flamengo ainda insiste com Luisão?
5- Porque o Mano Menezes tirou o Jeovânio, que era o melhor do Grêmio? Sem Hugo e sem Léo Lima o perigo já começa a rondar a área tricolor. Jeovânio passa a ser um jogador fundamental.
6- Porque, perguntam os torcedores rubro-negros, quando é para ajudar o Flamengo o Fluminense não consegue ganhar?
7- Porque o ataque do São Paulo perde tantos gols ? Gols que não perdia antes?
8- Porque o Diego Cavallieri ainda não foi convocado pelo Dunga?
9- Porque os árbitros continuam permitindo que os técnicos passem 90 minutos em pé dentro da área técnica?
10- Por que o Zé Roberto é um jogador superior, um digno representante do que têm de melhor no futebol brasileiro, a torcida do Santos pode voltar a sonhar.
Um abraço e até a próxima.
Escrito por Telmo Zanini em às
Caras navegadoras, caros navegadores,
O campeonato deveria parar totalmente neste fim-de-semana em razão das eleições, pois na maioria dos estádios funcionam seções eleitorais e em muitas cidades as forças da segurança pública estão totalmente envolvidas com o trabalho eleitoral e pedem para que não sejam marcados jogos de futebol. Isto e mais a rodada da Sulamericana nesta quarta faz com que aconteça a paralisação de 10 dias que está sendo saudada por quase todos os jogadores, técnicos e preparadores físicos. Porém, como a Conmebol alterou a data da final da Libertadores ainda antes da Copa do Mundo (e como todos sabemos Inter e S.Paulo lá estavam se degladiando), o único dia que sobrou para cumprir os jogos pelo Brasileiro dos dois finalistas foi este sábado, 30 de setembro. E aí, meus caros, quis a sorte - ou o destino, ou os deuses do futebol - que um destes jogos em especial ficasse como uma das decisões antecipadas do Campeonato Brasileiro. Estou me referindo a Atlético x São Paulo, na Arena da Baixada, por coincidência também os dois finalistas da Libertadores de 2005.
Lógico que nem é preciso recordar das circunstâncias todas que tiraram uma das finais da Libertadores da Arena e a levaram para o Beira-Rio. A rivalidade entre Atlético e os times de S.Paulo sempre foi grande e o fato acontecido no ano passado só vai fazer com que o clima, o ambiente que envolve este jogo, tenha ainda mais aqueles ingredientes de decisão que todos nós gostamos. O Atlético vêm em uma fase ascendente e com uma vitória pode até pensar em uma vaga na Libertadores 2007. O São Paulo vêm deixando escapar seguidas chances de se distanciar ainda mais dos seus perseguidores que ainda podem sonhar com o título (Grêmio, Santos e Inter), mas mesmo assim é o líder com confortáveis quatro pontos de vantagem sobre o segundo colocado.
Bem, este jogo com mais Inter x Paraná no Beira-Rio (outra pequena decisão entre o quarto e o quinto colocados) farão com que todos os times fiquem igualados com 26 jogos disputados, doze ainda por disputar, 36 pontos, e aí, vamos combinar o seguinte: fora a torcida do Paraná, o rival local, e, obviamente, a do São Paulo, todas as demais vão torcer pelo Atlético, ou pelo menos por um empatezinho, pois, em caso contrário - em caso de vitória do tricolor paulista que vai permitir uma vantagem de sete pontos sobre o mais próximo seguidor - podemos esquecer emoção e disputa pelo título, pois a tendência será o São Paulo fazer nas últimas rodadas uma marcha triunfal como foi a do Cruzeiro em 2003, no primeiro campeonato por pontos ganhos, o início da era pós-mata-mata. Hoje, sem o jogo com o Atlético, as chances do São Paulo ser campeão já chegam a ...... .
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É para evitar situações como estas que as fórmulas combinadas de disputa de campeonatos com fases regulares e depois play-offs, ou mata-matas, como acontece com os campeonatos de outros esportes nos Estados Unidos, ou com o Campeonato de Futebol Mexicano, por exemplo, são muito mais evoluídas e fadadas ao sucesso. Vamos pegar a velha e ultrapassada Europa, onde as comissões da Comunidade Européia já discutem há alguns anos as reformas que devem ser feitas no esporte e no futebol em particular. Os campeonatos estão lá pela quarta ou quinta rodada, e, fora a Alemanha e a Espanha onde 3 clubes no máximo vão disputar o título em cada país, na Itália, o título ficará entre Inter e Roma (talvez o MIlan se não partisse de menos 8), em Portugal o Porto dificilmente será surpreendido pelo Sporting, na França o Lyon já iniciou a caminhada para o hexa, e na Inglaterra já podem deixar a taça na porta de Stamford Bridge, o estádio do Chelsea. Está certo que em todos estes lugares (especialmente na Inglaterra onde o Chelsea pode contabilizar um prejuízo de 800 milhões de reais por temporada em razão da origem nebulosa do seu dinheiro) a diferença do poderio economico entre os clubes leva ao desequilíbrio técnico e a falta de interesse pela campetição, mas isto é um outro tema, que também está preocupando (e muito) o pessoal da Comunidade Européia que até já encomendou um trabalho a especialistas chamado "Independent European Sport Review, 2006" que em breve abordarei aqui nestas linhas. Porém também é muito mais certo que com apenas quatro datas a mais para permitir que numa semifinal o time com o maior número de pontos em dois turnos de ida e volta enfrente o quarto colocado enquanto o segundo e o terceiro lutariam pela outra vaga na final, deixaria os campeonatos muito mais emocionantes e abriria o leque de pretendentes.
Por isso para 2007 já defendo : turno e returno com ida e volta, seguido de uma semifinal com os campeões de cada turno e os outros dois times com o maior número de pontos na soma geral. Os vencedores fariam a final sempre com a vantagem para o time com a maior soma de pontos nos dois turnos regulares. Defendo também que só três times sejam rebaixados diretamente, que o quarto pior da série A tenha a oportunidade de medir forçar com o quarto melhor da B. Esclareço por oportuno que o que permite que as equipes se planejem não é o formato de disputa das competições, mas sim o Calendário divulgado com antecipação é cumprido como já está sendo feito há seis anos no Brasil.
É claro que o Atlético até aparece como favorito e pode vencer o São Paulo e ainda por cima abalar a confiança do time de Muricy. É claro também que o Santos viu crescer as suas chances, e uma combinação de dois resultados favoráveis pode trazer novas esperanças de título ao Inter, que aos poucos vai se recompondo do desmanche pós-Libertadores. Mas igual: porque ficarmos limitados, a 2 ou no máximo 4 times disputando o título se podemos abrir o leque para oito, dez, ou diante do equilíbrio do nosso futebol para até doze times/torcidas?
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Meus colegas, amigos, companheiros de redação, Garamba,Lédio e Poli tratam tão bem dos assuntos relativos as rodadas e aos jogos que pouco sobra para acrescentar. De qualquer forma gostaria de perguntar:
1- Porque o Leão tirou o Roger, que era o melhor em campo? Com ele o Corinthians dominava o Inter, Roger criava no meio-campo, armava os ataques e acertou um petardo no travessão. Sem ele, e com Carlão, o Corinthians foi dominado e só não perdeu porque Iarlei foi muito fominha.
2- Porque o Vagner Tardelli marca tantas faltas? Ele deveria apitar vôlei, ou tênis. Futebol é jogo de contato, mais da metade das faltas que ele apita são solenemente ignoradas pelos árbitros europeus e até mesmo pelos excelentes Larrionda e Elizondo.
3-Porque o Cléber Wellington Abade acompanha o jogo de tão longe? O Abade é um ótimo árbitro ele precisa botar um pouco mais de adrenalina quando apita. Perder uns quilos e correr um pouco mais. Não cometerá tantos erros como no domingo.
4- Porque o Flamengo ainda insiste com Luisão?
5- Porque o Mano Menezes tirou o Jeovânio, que era o melhor do Grêmio? Sem Hugo e sem Léo Lima o perigo já começa a rondar a área tricolor. Jeovânio passa a ser um jogador fundamental.
6- Porque, perguntam os torcedores rubro-negros, quando é para ajudar o Flamengo o Fluminense não consegue ganhar?
7- Porque o ataque do São Paulo perde tantos gols ? Gols que não perdia antes?
8- Porque o Diego Cavallieri ainda não foi convocado pelo Dunga?
9- Porque os árbitros continuam permitindo que os técnicos passem 90 minutos em pé dentro da área técnica?
10- Por que o Zé Roberto é um jogador superior, um digno representante do que têm de melhor no futebol brasileiro, a torcida do Santos pode voltar a sonhar.
Um abraço e até a próxima.
Escrito por Telmo Zanini em às
PAIXÃO À CICARELLI
Ah.. o que seria do mundo se não fosse este sentimento chamado paixão! Sem dúvida seria muito pior para todos nós. De acordo com o "Aurélio" paixão é “o sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão".
Pode ser também “amor ardente; inclinação afetiva e sensual intensa." Então, caras navegadoras, caros navegadores, estes nossos encontros aqui, o tempo em que todos nós passamos dentro de conduções, enfrentando engarrafamentos e condições adversas para ir a um estádio, ou em frente a um aparelho de tv vendo horas e horas de programas sobre futebol, de jogos de futebol, de entrevistas e discussões são atos movidos por este combustível ardente chamado paixão. É o mesmo sentimento que justifica fazermos coisas aparentemente impossíveis quando estamos apaixonados por alguém, a mover montanhas se preciso para encontrar, agradar ou desfrutar do nosso amor. Não têm como estar no futebol, ter qualquer contato com o futebol se não for um apaixonado. É verdade que alguns são apaixonados pelo dinheiro ou pelo poder, e só procuram o futebol como meio de chegar a eles, mas vocês já entenderam que não é a estes a quem estou me referindo.
Me refiro a pessoas como nós (e somos milhões neste Brasil e no mundo) que encontram no velho e violento esporte bretão as emoções mais intensas e muitas vezes mais puras e verdadeiras da sua vida quase todos os dias, pelo menos todas as semanas. Quem de nós nunca chorou pelo seu time (de alegria ou de tristeza), pela Seleção?? E todos lembramos como foi e quando foi. Quem nunca entrou em violentas discussões até mesmo com os amigos mais queridos, ou quem nunca enfrentou a cara amarrada do namorado, ou da namorada por que em algum momento preferiu ir a um jogo de futebol, ficar vendo um jogo na tv, trocando a companhia do ser amado pela emoção do resultado desconhecido?
É óbvio que quando falamos ou discutimos futebol este amor intenso pelo nosso clube, pela nossa Seleção nos leva a atitudes extremadas e os nossos raciocínios quase sempre não são apoiados pela lógica ou por argumentação convincente. Neste sentido sem dúvida a melhor palavra que existe para identificar o torcedor é na língua italiana, o "tifoso", que faz o plural "tifosi". O que vem a ser o tifoso? Tifoso simplesmente é a pessoa acometida de tifo, uma doença praticamente relegada a uma segunda divisão dos males que uma pessoa pode sofrer hoje em dia tamanha a quantidade e intensidade das novas moléstias. Mas o tifo é uma doença que alterar totalmente o estado da pessoa e se caracteriza por febres altíssimas e manchas pelo corpo. O tifoso é um ardente, vive consumido pelo fogo, no caso o fogo provocado pela paixão do futebol.
O difícil nestes tempos em que vivemos, em que não se respeita quase nada, em que se está perdendo o respeito pelas mais caras instituições é conseguirmos no futebol compreender este fenômeno da paixão e que os outros tem todo o direito de serem tão ardentes, tão febris, tão apaixonados como a gente. É por isso que as discussões muitas vezes descambam para atos violentos e que as citações racistas ou de ataques a grupos minoritários, ou menos favorecidos estejam se tornando tão freqüentes em nossos tempos. É uma pena, e vemos que nos momentos decisivos das competições, ou nos clássicos locais este tipo de intolerância com a paixão alheia vai se tornando cada vez mais intenso e freqüente.
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O nosso Campeonato, o Brasileiro 2006 chegou a rodada 25, faltam 13 para o final, 39 pontos em disputa para cada time. Teoricamente o Santa Cruz e o Fortaleza podem se livrar do rebaixamento, e os times que estão com 30 e poucos pontos poderiam chegar ao título se vencessem todas (algo impossível), pois com 90 por cento de chances o campeão terá de 72 a 75 pontos. O São Paulo, mantendo o desempenho atual, chegaria aos 77 pontos e seria (ou será) tranqüilamente o campeão. Em longa conversa com o matemático Tristão Garcia (de quem me orgulho de desfrutar a amizade), ele garantiu que o São Paulo tem 67 por cento de chances de chegar ao título de campeão brasileiro e o atual vice-líder, o Grêmio tem 20 por cento de chances. Ao Inter restam sete por cento, ao Santos quatro e aos demais dois por cento. Num campeonato por pontos corridos é muito difícil esta regra da regularidade ser quebrada e foi isso o que vimos claramente nos campeonatos de 2003 e 2004 de uma forma mais clara, e no campeonato do ano passado após o efeito Zveiter.
É claro que pelo futebol que vêm jogando, pelo ataque avassalador que marcou oito nas duas últimas partidas e por toda sua história de lutas, de glórias e de conquistas improváveis, como o título da série B no ano passado, o Grêmio e os seus torcedores têm todo o direito de sonhar com este título. Aprendi a admirar o Grêmio, a conhecer o espírito de não se entregar jamais e correr atrás do impossível, no final dos anos 50 e início dos anos 60, num time em que jogavam Airton Ferreira da Silva, um dos melhores zagueiros centrais do futebol brasileiro em todos os tempos, Raul Calvet , que depois jogou no Santos de Pelé, Gessy Lima, um gênio do meio-campo e o "Tanque", referência aos tanques de guerra, Juarez Teixeira. Com certezas chances matemáticas do Grêmio chegar ao título gaúcho de 1962 , quando a três rodadas do final o Internacional levava cinco pontos de vantagem, e naquele tempo a vitória valia dois pontos, eram bem menores do que hoje. E o Grêmio chegou, e o Grêmio foi campeão vencendo por 3x2 um Grenal que perdia até os 30 minutos do segundo tempo.
O Grêmio é capaz de conquistas impossíveis sim e esta é a única ameaça ao tricolor paulista. A ameaça de um time que entrou no Campeonato para não voltar à série B e que chegou aos inacreditáveis 28 pontos nos últimos 11 jogos. Se conseguir manter este desempenho pode ser o campeão, mas o professor Tristão garante que isto é muito difícil de acontecer. Tristão prefere pegar como exemplo o período pós-Copa, pois matematicamente traduz com mais fidelidade as campanhas dos dois times em luta pelo título e aí o São Paulo, com um jogo a menos, tem 29 pontos e o Grêmio 30. A regularidade fala muito alto no Campeonato de 20 clubes em dois turnos e por isso me permitiria a comparar os Campeonatos com esta fórmula ao ato-de-amor Papai-Mamãe. Já se sabe o que vai acontecer, é de fácil previsão. E é por isso, que como defensor intransigente da Paixão e dos apaixonados prefiro a fórmula de pontos que leva a um mata.
Hoje as grandes emoções estão concentradas na disputa do pé tabela, como foi nos anos anteriores. Agora imaginem se o nosso Campeonato fosse assim: campeão do turno, campeão do returno e além destes dois, os outros dois times com o maior número de pontos no geral da competição?? Os dois times com o maior número de pontos entrariam nas semifinais com a vantagem de jogar por dois resultados iguais. Sabem quantos times ainda estaria na disputa do título? Todos os que estão com mais de 30 pontos. Seria o amor "a la Cicarelli" na areia, na água em todos os ritmos, imprevisível, inesquecível, estonteante, abrasador como convém a uma paixão.
Um abraço e até a próxima.
Escrito por Telmo Zanini em às